Lean e Design: construindo um novo modelo de liderança

Inovar nos modelos de liderança é fundamental para destravar o potencial das pessoas e construir a melhor versão de uma companhia digital.

mulher feliz trabalhando com computador em puff
Posted on Oct 9, 2019

O que você vai ler aqui:

  • Como se desenvolver como Líder Lean 
  • Desenvolva a empatia para formar pessoas 
  • Ferramentas de Design que podem alavancar o potencial dos seus times
  • Como resolver problemas em 10 minutos

     

Inovação é uma das palavras mais fortes do mercado no nosso tempo. A corrida das empresas é para adquirir tecnologias, implantar capacidades e processos que permitam inovar em várias frentes de negócio para tornarem-se verdadeiramente digitais. 

 

Mas e as pessoas? Um novo modelo de operação e grandes impactos de negócio não serão alcançados sem que se olhe para elas com esse mesmo espírito de criar o novo. Por isso, é preciso inovar nos modelos de trabalho, de relacionamento e, sobretudo, inovar na forma de liderar. 

 

A nova direção da liderança tem que ser a da criação e suporte a ambientes colaborativos, multidisciplinares e abertos à experimentação nos quais as pessoas possam, de fato, estabelecer relações de confiança, gerar aprendizado e usar o máximo da inteligência coletiva. 

 

O papel de líder deixa de ser dizer o que deve ser feito e passa a ser formar pessoas aptas a criar novos caminhos na construção das melhores soluções. Sua tarefa passa a ser estimular a autonomia e colaboração dos times, além de inspirar e apoiar o desenvolvimento individual de cada pessoa da equipe. 
 

 

Liderança Lean

A descrição acima, para nós, é o retrato do que chamamos líder Lean. Dentro da filosofia, a liderança responsável pela criação, desenvolvimento e suporte de times de alta performance é aquela capaz de destravar o potencial das pessoas para que alcancem a melhor versão delas mesmas como profissionais e, juntas, construam a melhor versão da companhia. 

 

Para adquirir essa habilidade, líderes precisam se conectar, de fato, com cada pessoa da sua equipe. Para isso, precisa desenvolver sua capacidade de empatia, de compreender diferenças e particularidades e entender as dores de quem está sob sua gestão para, só assim, conseguir orientar para a melhoria contínua pela colaboração, experimentação e inovação. O interesse primário enquanto líder deve estar no liderado ou liderada e não em resolver o problema dessa pessoa.

 

Mas para ser capaz de criar um ambiente propício à experimentação, líderes Lean devem ensinar às pessoas a entenderem os problemas realmente como oportunidades de crescimento, de desenvolvimento da capacidade de criar novas soluções, de inovar. Vendo sob essa perspectiva, as pessoas se encantam pelo desafio e líderes conseguem destravar o potencial delas criando e sustentando a habilidade de resolução de problemas.

 

Desenvolvendo a liderança Lean


Uma liderança Lean deve ser norteada por alguns valores fundamentais, como o gosto pelo desafio, pelo aprendizado constante, o espírito de trabalho em equipe, a prática do Gemba (ou local real) que inclui a presença no dia a dia das equipes e, sobretudo, o respeito.

 

Além disso, o desenvolvimento de uma liderança Lean depende de 4 pilares: 

 

1. Autoconhecimento - é preciso saber o que te motiva, seus modelos, valores e propósito. Sem conhecer mais sobre esses pontos e como transformá-los em alicerces para a sua jornada, você terá grandes desafios em elevar o nível da sua equipe também. É preciso, então, se aprofundar no autoconhecimento e entender de gente para entender de mente. Só assim é possível apoiar outras pessoas a seguirem suas jornadas de melhoria contínua.

 

2. Desenvolvimento de novas lideranças - Pensando sempre no desenvolvimento e crescimento da companhia, a figura de líder deve ter como meta a formação e o desenvolvimento de outras lideranças. Aqui, aprendemos que a habilidade de coaching é um veículo poderoso para acelerar a mudança de mindset dos times e estimular o protagonismo na solução dos problemas. Líderes Lean têm como grande desafio o desenvolvimento de um time capaz de solucionar problemas.

 

3. Melhoria contínua - Líderes devem ser capazes de proporcionar ambientes de aprendizado e melhoria para seus times. Ajudar as pessoas identificar onde estão colocando o foco e como estão lidando com as adversidades faz parte de um mindset poderoso de melhoria contínua. 

 

4. Visão, metas e comunicação - a liderança precisa ter foco no true north, ou objetivos bold, e nas metas a curto prazo da companhia. É preciso saber transmiti-los com clareza, estabelecendo uma comunicação clara e transparente junto aos times.


Formando pessoas, potencializando os times


Aqui vamos nos deter um pouco aos conhecimentos sobre a mente humana, necessários para que líderes consigam aprimorar suas capacidades de empatia e conectar-se com suas pessoas. O primeiro deles é sobre os diferentes modelos mentais. 

 

De acordo com a PhD em psicologia do desenvolvimento, Carol Dweck, existem dois tipos de modelos mentais: o fixo e o de crescimento. O fixo é aquele apegado a certezas, resistente a mudanças e condicionado a buscar estratégias já conhecidas para lidar com problemas. O de crescimento, ao contrário, é aquele que tem prazer no aprendizado, é estimulado por desafios e busca novas alternativas. Todos nós somos formados pela combinação dos dois, mas é o mindset de crescimento que deve prevalecer em um ambiente digital. 

 

Cabe aos líderes estimular seus liderados a desenvolver o mindset aberto ao aprendizado. Porém, como o ser humano tende a resistir às mudanças, se o líder tentar impôr uma nova forma de se posicionar frente aos desafios, pode gerar efeito contrário acionando o estado de defensividade. Segundo o Prof. Dr. Robert Dilts, esse estado é conhecido como estado CRASH (Contraction, Reaction, Analysis paralysis and Hurt and Hatred). 

 

Tendo conhecimento sobre essa defesa natural, o líder é capaz de acolher ao invés de confrontar tentando impor a sua solução. Uma boa forma para se prevenir do Estado CRASH é reconhecer três grandes pilares, são eles: Fisiologia, Foco e Linguagem. 

 

Nosso estado emocional é o resultado de como nós pensamos, sentimos e agimos. Se treinarmos a neutralização de pensamentos negativos, podemos obter muito mais sucesso em aprendizado e na expansão de mindset, principalmente para uma perspectiva de crescimento. Uma forma de exercitar essa nova habilidade é usar um princípio do Lean; o Shu Ha Ri, basicamente, ensina a, em um primeiro momento, a procurar entender o mindset das pessoas e respeitá-las; depois oferecer seu ponto de vista para, por fim, conseguir que ela assimile a nova forma de pensar. 

 

Lean + Design = resultados exponenciais para lideranças

 

No caminho de estimular a transformação das pessoas e equipes rumo ao Lean Thinking e construir o seu exército de problem solvers, algumas técnicas de cocriação podem ser muito valiosas, em especial as que fazem parte da disciplina de Design. O Design tem como objetivo a solução de problemas, sempre mantendo o foco nas pessoas que serão impactadas. 

 

Apoiados em uma estrutura de pensamento crítico e criativo chamado Design Thinking, estimulamos a colaboração e a troca de ideias para a construção a partir da inteligência coletiva. E esse conhecimento compartilhado e potencializado é capaz de gerar as melhores respostas. 

 

Esse poder faz com que, na CI&T, tenhamos o Design como um dos nossos pilares fundamentais. O Design Thinking está presente em nossas atitudes, na operação e transitando por todos os nossos processos de formação de pessoas. Para torná-lo efetivamente parte de nosso dia a dia, lançamos mão de diversas ferramentas e dinâmicas - como o Team Building Canvas, Five Bold Steps e Double Diamond. 

 

- Team Building Canvas - usado para estruturar conversas em grupo, ter maior clareza e alinhamento sobre diversos temas. Além de estimular a troca de ideias e a construção a partir da inteligência coletiva, esta abordagem ajuda a diminuir conflitos.

 

- Five Bold Steps: é uma dinâmica para estimular o alinhamento dos times em busca de uma visão comum, os temas que a suportam e os 5 grandes passos para atingí-la. Depois de propor uma reflexão individual as propostas são compartilhadas para construção de uma visão única, um consenso.


- Double Diamond: técnica baseada na divergência e convergência, estimula o respeito aos diferentes pontos de vista e constrói consenso. Nela, as pessoas manifestam opiniões sobre um tema por escrito - geralmente em post-its - e depois as ideias são agrupadas por semelhança. A seguir, o grupo vota nas opções que fazem mais sentido.

  

Outra ferramenta muito importante aqui na CI&T é o Coaching em 10 minutos. Essa técnica ajuda a destravar o potencial das pessoas e dos times de forma rápida e efetiva. Seu objetivo não é ajudar diretamente as pessoas a resolverem seus problemas, mas, sim, a desenvolver um framework mental para dar os primeiros passos, encontrar os melhores caminhos na busca da solução. 


Hora de partir para a ação

 

A mudança de mindset exigida para que você se torne um líder Lean não é rápida nem fácil, mas você pode aplicar esse método aos poucos sobre o seu estilo de liderança atual. 

 

E você pode começar essa transformação incluindo 2 perguntas simples nas suas conversas com seus liderados e lideradas: o que você aprendeu com esse papo? O que você pode fazer em relação a isso hoje? 

 

Esse é o primeiro passo para mudar o olhar de todo o seu time na direção da identificação de problemas e busca pela melhoria contínua. 

 

Boa jornada!