O desafio das gigantes: como gerar impactos de negócio com agilidade

Por: Bruno Guicardi

Grafismo vermelho com branco com faixas de luz
Posted on Dec 1, 2018

 

O que você vai ler aqui:

  • Implantar a agilidade em grandes operações requer análise profunda do contexto, método e ferramentas adequadas. Conheça os caminhos.

  • Antes de aplicar novas soluções tecnológicas, o foco deve estar na mudança cultural. É necessário mudar práticas, comportamentos e a forma como sua empresa lida com problemas

  • Para construir e sustentar uma nova operação digital, mire na geração de impactos de negócio em ciclos curtos


 

Há, no mercado, muitos modelos para a realização da transformação digital. Em sua maioria, projetos que tentam conquistar agilidade implantando novos processos tecnológicos, mas acabam não sendo sustentáveis por não trazerem resultados substanciais com velocidade. 

 

Pela nossa experiência, instalar uma nova cultura, novas tecnologias e treinar equipes para aplicá-las de forma consistente para gerar impactos de negócio não é tarefa a ser resolvida com playbooks. Demanda análises profundas de mercado e das necessidades dos clientes, maturidade digital da operação e rigor na aplicação de metodologias de gestão adequadas, como o Lean.

 

Melhoria Contínua

 

Para nós, o Lean é base mais sólida para enfrentar o desafio de reformular uma companhia. Tanto que, com seus princípios e processos, desenvolvemos o Lean Digital Transformation, um modelo que promove mudanças profundas e sustentáveis, capazes de gerar impactos para o negócio em ciclos curtos.

 

 

Transformação digital: para aprender é preciso fazer

 

O que resume esse modelo é o aprender fazendo. Só com a prática teremos a confiança para acertar. A estratégia é mudar gradualmente e de forma consistente. Escolher uma área para começar, descobrir hipóteses de negócios que devem ser priorizadas, onde estão os pontos fracos e aplicar o Lean para solucioná-los, mirando resultados de curto prazo. Estes passos seguros fazem com que a mudança vá ocorrendo de forma estruturada e continuada e que os impactos para o negócio apareçam rapidamente, mostrando valor desde o início e ao longo de todo o processo.

 

Um bom lugar para começar pode ser no e-commerce, por exemplo. As necessidades aqui são as de criar um ambiente de vendas preparado e ágil para responder à velocidade do mercado e do consumidor. Como? Por meio do desenvolvimento contínuo que facilite a criação de novas funcionalidades sem grandes e repentinos abalos na estrutura como um todo. 

 

Porém, para conseguir isso, é necessário mudar a arquitetura dos sistemas tradicionais fazendo com que sejam mais desacoplados, menos dependentes do legado. Um bom caminho é aplicando ferramentas que permitem o desenvolvimento de features de forma independente, como API management e micro-services. A estratégia é ir encapsulando a complexidade dos sistemas legados e oferecendo uma interface mais clara para que os novos sistemas consigam ser construídos de uma forma autônoma. Assim, os times de digital andam sozinhos e resolvem os problemas com muito mais agilidade.

 

Dessa forma, as equipes se tornam defensoras e multiplicadoras de uma nova maneira de fazer, rápida, eficiente e com grandes resultados. Esse é um princípio Lean: aplicando processos que mudam os comportamentos, a empresa transforma a sua cultura. E a mudança cultural é a chave para conseguir realizar uma transformação digital.

 

Além de aplicar esses processos-chave para modificar práticas dos times, outro importante ponto é modificar a forma como se resolvem os problemas. Ao invés de procurar culpados por eles, procurar as causas raiz para solucioná-los. Assim, as pessoas se sentem à vontade para se arriscar, usar a criatividade e aprender. É a cultura da experimentação em ação. 

 

Uma boa ferramenta para ajudar a mudar o mindset da empresa em relação a problemas é o A3.  

 

 

Metodologia A3



Comece pelas lideranças

 

Porém, como a cultura é replicada pelo exemplo das lideranças, a mudança de mindset começa aí. Além de abertura para a experimentação, têm que ter proximidade dos times em todo o processo. Para isso, há outra ferramenta simples e eficiente, o Gemba que é o "estar presente", trabalhar ao lado da equipe quando uma dificuldade se apresenta e conduzi-la para a solução. Assim, além de dirigir o time, se desenvolver com ele, se atualizando sempre e se consolidando como uma inspiração.

 

Duas capacidades-chave para o sucesso

 

No novo mercado é necessário desenvolver duas grandes capacidades: a primeira é a de tomar o pulso do seu cliente, de observar comportamentos mudando e ver para onde estão indo. Somada a isso, a criatividade para conceber soluções digitais integradas dentro de um contexto omnichannel e, assim, desenhar experiências que tragam resultados importantes para o negócio.

 

A segunda, é a capacidade de fazer rápido. Em um ambiente cheio de incertezas, os testes, o erro e o acerto é que vão mostrar o caminho. Ninguém sabe o que vai ser sucesso ou não. Nem especialistas mais relevantes ou as melhores ferramentas. Só o teste de verdade, real, vai dirimir os riscos e responder como aquele produto ou aquela ideia vão ser percebidos. Para ter a resposta em tempo hábil de lançar o produto, é preciso diminuir muito o ciclo do desenvolvimento dos experimentos. Testar rápido para aprender rápido e acertar rápido. O que surpreende hoje pode ser comum em seis meses.

 

A transformação digital é o caminho necessário para conseguir desenvolver essas capacidades. Só com uma grande mudança nas suas práticas tradicionais as empresas estarão aptas a criar experiências capazes de trazer impactos positivos com velocidade para os consumidores e para o negócio