O impacto da transformação digital na visão de C-Levels

Em painel, C-Levels do Carrefour, Nestlé, Itaú e CI&T discutem os desafios da transformação digital, a necessidade de gerar impactos de negócio durante o processo e o papel decisivo das lideranças.

Palestrantes do Business Impact 2019
Posted on Apr 18, 2019

Um dos mais aguardados painéis do evento CI&T Business Impact Summit 2019, realizado na sede do Cubo Itaú, reuniu C-Levels de grandes empresas para discutir os desafios da transformação digital. No palco, a CEO do Carrefour e-Business, Paula Cardoso; a diretora de Transformação Digital da Nestlé, Carolina Sevciuc; o CIO do Itaú, Ricardo Guerra; nosso CEO, Cesar Gon; e Flávio Pripas, ex-diretor do Cubo e, hoje, Corporate Venture Officer (CVO) da Redpoint Eventures.

 

Refletindo sobre os caminhos, as dificuldades e as particularidades dos processos de cada empresa, os palestrantes trouxeram insights valiosos para a audiência formada por um seleto grupo de lideranças de companhias dos mais diversos segmentos.

 

Logo no início, o mediador, Flávio Pripas, lançou uma provocação e pediu que cada painelista definisse transformação digital em uma palavra. Paula Cardoso e Ricardo Guerra imediatamente coincidiram na resposta: "cliente". Já Carolina Sevciuc afirmou que para ela a palavra era "pessoas" e Cesar Gon preferiu "impacto". Todos concordaram, porém, que essas respostas estão ligadas, já que o tema converge para a mudança de mindset em vários níveis das corporações e para os resultados efetivos dela.

 

Em relação à mudança de mindset, ou de cultura, outro ponto muito comentado foi o mal entendido que ainda paira no mercado a respeito de que transformação digital seria apenas a implementação de novas tecnologias nas empresas. "A tecnologia é um meio para que você faça mais rápido, mas o processo tem a ver com a cultura da empresa", afirma Paula Cardoso.

 

Apesar de terem essa clareza, todos foram bastante enfáticos em afirmar que mudar a cultura de uma organização - principalmente de grandes empresas tradicionais no mercado, como Itaú, Nestlé e Carrefour - não é uma tarefa trivial. É preciso fôlego, paciência e resiliência para engajar equipes e, de fato, atuar sob a ótica do digital. "As empresas são muito lentas. É uma mentalidade muito difícil de mudar. Os mecanismos de governança não propiciam a mudança, pois a governança é dividida por silos, não senta todo mundo na mesa de forma transversal", disse Paula Cardoso lembrando que uma das características do digital é a agilidade que se constrói com base na colaboração.

 

Sem essa agilidade, uma empresa não conseguirá entregar a melhor experiência para o cliente com velocidade. "Digital pra mim é sobre, de fato, você ser rápido, em escala, de uma forma extremamente agressiva resolver problemas do cliente e criar experiências incríveis o tempo todo usando tecnologia", disse Ricardo Guerra.

 

Para conquistar essa capacidade na operação, porém, deve haver um movimento de mudança que comece pelo alto escalão das empresas. Ou seja, a transformação cultural deve partir da liderança. "Quem ocupa esses cargos inspira o restante da companhia, para o bem e para o mal, e funciona como balizador da mudança", afirma Cesar Gon.

 

Guerra concorda: a mudança tem que ocorrer top down. Para ele, não há outra forma de construir um nova cultura em uma companhia. "Só acontece quando o CEO assume a importância da transformação digital, fazendo com que o processo flua e a organização como um todo seja contaminada. Ou, então, quando outra pessoa ocupa esse lugar e atua como um 'influenciador da mudança'", completa dizendo que, nesse segundo caso, o apoio do CEO também é fundamental.

 

"É uma decisão que passa pela mudança dos processos de governança e por novos indicadores de negócio", comenta Paula Cardoso, afirmando que o processo requer uma completa reinvenção da companhia.

 

Como influenciar a empresa inteira?

Para Carolina Sevciuc, o RH tem papel fundamental na construção do novo mindset. "Estamos revisando todos os skills, performances e tipos de treinamento dentro da Nestlé. É necessário definir qual o perfil de profissional que queremos dentro da organização e isso não quer dizer que devemos mudar as pessoas, mas sim dar oportunidade para que cresçam junto com a empresa", explica.

 

Segundo Cesar, para disseminar a mensagem da transformação digital em toda a empresa não basta criar grandes ações de comunicação ou mudar o ambiente físico de trabalho. "Não são os banners que provocam as mudanças", diz. "É importante transformar o dia a dia das pessoas, a maneira como elas trabalham e tomam decisões. É preciso criar ambientes de colaboração e estimulá-la. Só assim é possível gerar novas atitudes, que resultam em novos valores e, consequentemente, na mudança de cultura", completa.

 

Dica das lideranças

Em um dos pontos altos do painel, cada painelista revelou o que consideram necessário para liderar uma transformação digital. De acordo com a diretora da Nestlé, é importante fazer as escolhas certas e cercar-se de pessoas que vão ajudar você nisso, já que não existe um playbook de transformação digital.

 

Para Paula Cardoso, CEO do Carrefour e-Business, o segredo é mudar a forma como você enxerga o negócio e também o cliente, além de apostar em uma nova mentalidade de governança. Segundo ela, de nada adianta tentar impor opiniões, pois isso só vai resultar em que se perca a batalha. "De nada adianta morrer certa", disse. É mais valioso encontrar formas de conquistar o apoio das pessoas para realizar as mudanças necessárias. "Antes, como executiva, eu tomava decisões a toda hora. Mas o trabalho, agora, é transversal e, por isso, é preciso achar formas de engajamento, trazendo as pessoas onboard".

 

A dica do Ricardo Guerra, CIO do Itaú, é sobre a quebra de paradigmas. Segundo ele, o digital é diferente em todos os sentidos, muda desde a estrutura da organização, o perfil dos profissionais, a tecnologia utilizada, até o modelo financeiro adotado e, para vivê-lo, é preciso ter disposição para romper com modelos mentais. "Se você não colocar isso em prática, pode até captar benefícios, mas não quer dizer que vai ser competitivo a longo prazo", diz.

 

Para Cesar Gon, um ponto fundamental para que a transformação digital ocorra e consiga se sustentar é gerar resultados efetivos, impactos de negócio, já no início da jornada. "Quando muda de verdade é quando a liderança decide mudar e quando isso está ligado a impacto. Porque ninguém faz isso porque acha legal, é porque vai dar resultados financeiros, vai dar mercado, vai deixar os clientes encantados com certeza", finaliza.