As chaves da TI para o sucesso no novo mercado

Por: Daniel Viveiros

Mulher negra analisando banco de dados da nuvem
Posted on Nov 6, 2017

Há meses, venho acompanhando notícias de grandes empresas no mundo todo que vêm sofrendo importantes quedas no faturamento e no valor das suas ações devido às mudanças no mercado trazidas pelas novas tecnologias.

 

"Estamos operando em um ambiente de competição intensa e destrutiva, o nosso cliente tem mais opções de compras do que nunca"

Jeffrey Gennette, CEO da Macy`s

 

Esta frase dita recentemente pelo CEO dessa gigante do varejo certamente representa as vozes de executivos de grandes corporações de todos os segmentos da economia. Apenas para tangibilizar, a Macy`s perdeu 55% do valor de suas ações nos últimos dez meses devido à intensa queda de tráfego de clientes em suas tradicionais megalojas e da força de concorrentes que operam com sucesso no formato digital. Já a Amazon, o peso pesado entre esses concorrentes, apresenta o maior crescimento entre as 20 maiores empresas de varejo no mundo. Na mesma direção, no segmento de hotelaria, o Airbnb emparelha seu valor de mercado ao do grupo Marriott International e já vale o dobro da Hilton Worldwide Holdings - sem possuir nenhum quarto de hotel e com uma força de trabalho equivalente a apenas 1% de qualquer uma dessas grandes redes.

A fórmula da Amazon e do Airbnb, assim como a do Facebook, Spotify e de todas as outras startups bem-sucedidas neste cenário, é bem conhecida: ter a tecnologia como centro gravitacional, a inovação como meta constante e - usando as palavras do CEO da Amazon, Jeff Bezos - uma verdadeira obsessão em atender às necessidades dos consumidores.  Diferentemente das companhias tradicionais, essas empresas nascem leves, sem legado, e tendo como foco dos seus negócios a experiência digital que oferecem.

 

eBook Lean Way to Digital Success

 

Buscando a agilidade de uma startup


Percebendo esse fato, as companhias tradicionais aceleram sua busca por firmar bases no digital, mas patinam nas dificuldades de alcançar esse modelo de atuação ágil e vibrante das startups e empresas cloud native por insistir em preservar as antigas estruturas pouco flexíveis, centradas em previsibilidade e segurança. De fato, há algumas décadas, essa era a necessidade. Naquele momento, a TI operava como coadjuvante nas empresas e na mesa dos CTOs e CIOs estavam questões ligadas à redução de custos, padronização e eficiência operacional. O resultado foi o nascimento de estruturas baseadas em silos criando fronteiras entre as áreas - de banco de dados, redes, infraestrutura, segurança, gestão de projetos - e estimulando a atuação independente. A meta de cada área era a de evitar ao máximo erros em seus perímetros e de garantir que seus procedimentos e critérios fossem utilizados corretamente.

 

"No mundo de hoje todo negócio é um negócio digital"

Matt Brittin, Presidente de Operações e Negócios EMEA do Google

 

Quando essa estrutura é mantida, o principal choque acontece no momento em que tecnologia deixa de ser coadjuvante e se torna protagonista para os negócios da empresa. A herança tecnológica de processos e, principalmente, de cultura é cruel e pode ser devastadora para os novos modelos de operação do novo mercado. Os modelos antigos, ainda defendidos por grande parte das áreas de TI, são avessos à inovação e, principalmente, à velocidade, componentes fundamentais para se manter no jogo.

 

Velocidade é a palavra-chave

Enquanto as áreas de TI de companhias tradicionais mantêm essa estrutura muito baseada em silos e processos pesados, o que vemos no mercado é o seguinte quadro:

 

Experience GAP Value Expected

 

Com um lead time médio de 18 meses, essas empresas estão sempre aquém das expectativas dos consumidores, não acompanhando a velocidade com a qual se move o mercado. Mas por que é tão lento? Quais são os gargalos? Para responder à essas perguntas, a CI&T analisou os principais pontos de atrito nos processos de produção que utilizam de padrões tradicionais e chegamos aos seguintes números - e a algumas questões fundamentais para clarear os seus motivos.

 

Lead Time Value to Market


 

Baseados nesse fluxo, podemos verificar que os principais desafios estão em duas áreas distintas e que a velocidade em escala só será alcançada de forma significativa se houver ações em todos os sentidos. São elas:

  • Cultura e processos: mais da metade (54%) do lead time acontece antes mesmo do desenvolvimento de software começar e só existe uma ação efetiva em menos da metade do tempo total (flow efficiency de 43%). Essa é a conta paga pelo excesso de silos, de passagens de bastão, de exagerada preocupação com previsibilidade e com processos de orçamento e contratação orientados a projetos e não a produtos.
  • Tecnologia: ainda parte fundamental dessa equação, responsável por 46% do lead time. A produtividade no desenvolvimento logicamente possui um papel importante, mas na maioria das vezes não é protagonista nesse cenário. Ineficiências em ambientes, homologação tardia, entradas em produção esporádicas, falta de ciclos de feedback para evitar problemas, pacotes de entrega muito grandes, falta de pensamento MVP e ausência de fluxos puxados pelo usuário são outros exemplos de vilões que muitas vezes fogem dos holofotes.


Acreditamos que a verdadeira mudança só acontece se englobar a organização como um todo, é o que chamamos de Lean Digital Transformation. É uma reflexão profunda de como conduzir e estruturar sua empresa no mundo digital, que envolve modelos de lideranças, estruturas corporativas e a cultura como base de tudo. Sob o olhar de tecnologia, enxergamos quatro cornerstones fundamentais para essa nova TI:

  • Data Analytics - Com base na sua visão estratégica, a empresa deve orientar-se por dados e insights em busca de entregar a melhor experiência ao consumidor. Para isso, apoiada em processos de Design Thinking, deve desenvolver as melhores soluções em ciclos curtos de experimentação e validação e utilizar-se de ferramentas como Analytics e Machine Learning para otimizá-las de forma constante.
  • Platform Modernization - Modernizar o legado para alavancar a capacidade de atender às novas demandas é fundamental. Estruturas fechadas, pesadas e monolíticas precisam se ajustar aos novos modelos de negócio para não serem âncoras no processo. Isso pode ser realizado por meio de abordagens como quebra em microservices e containers, criação e gestão de APIs e cloud computing como base dessa transformação.
  • Agile Application Development - Processos de desenvolvimento ágeis praticamente viraram padrão no mercado, são os únicos que suportam o pensamento MVP, fundamental para o mundo digital. É importante ressaltar a importância do papel de métricas e ciclos de PDCA para construção de verdadeiros times de alta performance.
  • DevOps - É a extensão do ágil, envolvendo operações e o ciclo completo de entrega. Fundamental para garantir que não haja estoque, pacotes grandes de entrega que colocam em risco a operação e a agilidade na ativação do valor do que é construído. É a busca por otimizar a operação por meio da automatização para suportar um modelo de negócios digital.

Para aprofundar esses conceitos e auxiliar empresas nos seus processos de reestruturação da TI e transformação digital, publicaremos uma sequência de textos que tratam detalhadamente de cada um dos cornerstones acima citados, suas características, ferramentas e implementação. Acompanhe nosso blog.

 

Artigo originalmente publicado na CIO.com. Leia aqui.